Danielle Ramos – Dezembro 2018

Quando os impressionistas desafiaram a arte acadêmica  permitiram aos artistas estimulados pela invenção da fotografia alçarem altos vôos. Estava aberto o caminho a autonomia estética. O que isso tem a ver com nossa artista e sua proposta? A palavra chave aqui é liberdade. Isso que impulsiona Dani Ramos. Diante disso fica a pergunta: 

Mas afinal o que pretende a artista Dani Ramos com a série de pinturas aqui expostas? 

 Entre e mergulhe nesse universo de sentimentos, sensações, luta e empoderamento da mulher negra pós contemporânea. 

 O caminho escolhido é o da releitura de obras consagradas na história da Arte. A artista empodera as mulheres negras de sua geração e a si. É expressão de suas angústias, lutas, amores, conflitos, certezas e dúvidas o que iremos presenciar nas obras aqui apresentadas. 

  É preciso entender que é dada sempre ao expectador a liberdade de fazer suas próprias análises e reflexões. Arte é fruição , arrebatamento e transcendência acima de tudo. Como não transcender com o universo memorial imagético de Dani Ramos?

 Há um inquietação, tensão, paixão, fogo e tempestade avassaladora nas obras dessa nova série que se somam às antigas chamadas memórias imagéticas. Dani transborda amor e fúria criativa. Bem apropriada a sua orixá de cabeça, Iansã. Onde a Deusa Ororo passa nada fica de pé. Nada é como antes. Quem fica inerte e incólume a força das imagens dessa artista?  Quem viver , ver, sentir verá!

 A tempestade é parte do caos, mas ao mesmo organiza os eventos. As obras aqui expostas resultam de uma tempestade peculiar. Uma tempestade estética. Essa,  resultado das diversas influências sofridas ao longo da formação e trajetória da artista. Da abstração da pré história até a arte contemporânea, passando pelas aquarelas de Debret, Margareth Mee, as pinturas de Cézanne e as vanguardas construtivas, tudo é objeto de estudo e inspiração pras obras de Dani. A ancestralidade africana e os artistas que a exploram fazem parte dessa tempestade de influências. A Vênus inspirada em Rafael traz a estrutura e força de Cézanne e essa intencionalidade se repete ao longo de todas às obras. É o diálogo metalinguística regendo a produção da artista. Assim Dani Ramos exterioriza o resultado de suas vivências e se comunica sensivelmente com o que a cerca dando sua resposta paradoxal ao mundo. A suavidade ao lado da intensidade. A paixão e força lado a lado ao sublime.