Elis Pinto – Julho 2018

Olhe para o passado com calma, depois analise criticamente o presente, em seguida questione os padrões de aceitação e justificativas à violência, principalmente contra as mulheres, agora imagine o fim do mundo como conhece.

Esta série foi iniciada por Elis Pinto em 2014. Fazendo alusão à miscigenação brasileira Elis cria com a ‘Vênus do Fim do mundo’ uma releitura das estátuas que na Europa antiga representavam as Vênus (representação de Deusas da fertilidade, da beleza e do amor) que ao caírem e serem soterrada por longos anos eram reencontradas sem braços e sem cabeça por serem esses os membros mais frágeis da estruturas das estátuas de figuras humanas, criando assim um paralelo entre a trajetória de tais estátuas e a da mulher na história da humanidade. Teve também como referência a leitura e a observação das imagens de gravuras utilizadas na ilustração do Livro ‘Duas viagens ao Brasil onde o alemão Hans Staden criou registros (fantasiosos ou não…) enquanto esteve prisioneiro dos Tupinambás, citando o ritual de canibalismo praticado por tal tribo indígena habitante do litoral carioca até São Paulo. Considerando então, com interesse pontual, relatos sobre a condição das mulheres indígenas e seu papel nesse ritual, Elis questiona a aceitação e justificação e proteção à violência contra a mulher, seja por questão cultural ou religiosa, atribuindo assim também a força e a capacidade de sobrevivência como qualidade de tais Deusas, criando assim em seus trabalhos desta série um feminifuturismo onde copos de mulheres mutantes transitam em ambientes inóspitos sobrevivendo ao caos máximo imaginado pela artista.

As linhas retas, formas retangulares que aparecem em alguns dos trabalhos simbolizam as estruturas utilizadas na arquitetura, a geometria criada pelo homem, as “fronteiras” ou “a volta” que um dos significados da palavra trópico, propondo ao expectador transcender às impressões sobre os elementos narrativos e pictóricos, até mesmo sobre as figuras dos corpos femininos voluptuosos, algumas vezes exageradamente musculosos, questionando os “limites” em espaços onde a atmosferas algumas vezes nos remete ao etéreo, com solos derretidos em transformação da paisagem muitas vezes sem um horizonte definido num surrealismo figurativo.

Elis Pinto é artista visual pela EAV do Parque Lage de 2010 a 2018 e bióloga. Nascida e criada até os 25 anos em Duque de Caxias a 24/05/1981, é moradora de Santa Teresa no Rio de Janeiro a 10 anos. E utiliza técnicas variadas para representar sua imaginação, lugar onde tudo é possível.