Ju Mendonça – Julho 2019

GIRAURBANA

DESENHOS DE JU.MENDONÇA

A série de Ilustrações, desenhos, pinturas e colagens nascem junto com a necessidade de deslocamento do olhar para algo concreto, porém não explícito. A artista sugere que para cada ser caminhante na cidade existem energias motivadoras e protetora que acompanham os passos dia e noite, essas energias são pela artista conhecidas como Orixás.

A série tem como predominância a cor preta, uma busca e questionamento sobre as imagens das entidades que lhes foram apresentadas no sincretismo. Isso fez com que seu traço direcionasse sua própria fé em divindades pretas e andróginas, em contraste com o usual clássico cenário de fundo branco. As técnicas utilizadas são arteiras e múltiplas, que variam conforme a lua e a necessidade de criação dentro de um bolso apertado, e tem como inspiraçãocomo o plano de “Uma cor, uma idéia”.

Um marco na sua mais recente história é a exposição de Jean-Michael Basquiat, que confirma a necessidade de uma nova trajetória dentro da história da arte, onde se reconheça as lidas “artes marginais”, antes do famoso pilar carimbo de aceitação. A série “Gira urbana” saiu dos murais e
grafites em paredes para morar e acontecer no papel e na tela com o axé de cada Orixá representado nela.

Foto João Araió

 JU.MENDONÇA 

Juliana Mendonça Rangel nasceu e cresceu na década de noventa na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Oriunda de uma família matriarcal, sempre foi incentivada a caminhar por espaços de ensino gratuito. Foi secundarista no Colégio Pedro II – U.E. Realengo II. No ensino complementar superior passou pela EBA-UFRJ em concordância com o curso de História da Arte; e pela FAP- Paraná em Artes Visuais.

Participou do corpo de estagiários da SAE – Museu Nacional UFRJ ainda secundarista, e estendeu suas inquietações em forma de pesquisa até 2015, ano em que finalizou seu vínculo com a mesma instituição. Ainda na arte educação em espaços informais de ensino, em paralelo a sua breve passagem pela FAP – Paraná, trabalhou como mediadora na Casa Labirinto, desenvolvendo projetos de alfabetização e matemática com artes manuais e palhaçaria.

Como artista visual, sempre se apropriou das ruas produzindo pinturas em muros, fazendo cenários para filmes e palcos para o teatro, experiências criadas em parceria com alguns coletivos como Cartel Adélias, Cine Madú, Cia Olha Só e Olho de Dentro filmes. Sua versatilidade em circular também por outros trabalhos , faz com que o seu percurso pela cidade tenha a mesma facilidade de quem que rega suas plantas e costuma dizer que essa é sua verdadeira arte.